terça-feira, 13 de outubro de 2015

Opinião não é ciência, é religião...

Fiquei refletindo sobre o longo tempo que fiquei sem escrever. Sem me expressar. A culpa é do dia a dia atribulado? Certamente que sim. Mas outras coisas me calaram também.
Acho que num primeiro momento posso dizer que andei inibida. Afinal, o que não falta na internet, hoje em dia, é opinião. Todo mundo tem opinião. Demais. Opinião não é uma coisa embasada. É palpite. É "eu acho". É "para mim é assim e pronto". Opinião é uma coisa meio religiosa por que quem tem, muitas vezes nem explica por que pensa daquela maneira.
Opinião não é ciência. Ninguém comprova nada. Opinião é religião. É por que eu acredito e pronto.
Andei um pouco angustiada. Por que eu deveria escrever alguma coisa, se meu posicionamento raciocinando tem o mesmo valor que de um fervoroso opinativo religioso?
Mas por outro lado, nestes dias de textos pobres, sem coesão, sem coerência, sem noção, sem argumento, como eu posso abrir mão da força da palavra e de fazer minha parte por um mundo com mais bom senso? Por relações humanas mais saudáveis?
O meu posicionamento filosófico na humanidade é o liberal. Em relação a comportamentos humanos acho que cada um vive como quer, desde que não invada o espaço alheio. Para mim fica muito claro que seu sexo, sua religião, seus costumes, suas crenças, estão muito pouco relacionadas comigo. As opções individuais de cada um são questões individuais de cada um. Se por acaso eu me chocar com um beijo gay na novela, o problema está em mim, nos meus valores, que eu não posso impor aos outros. Se eu sou contra um beijo gay eu não terei relacionamentos gays. Mas não me cabe perturbar os gays.
A regra é clara. A convivência é simples se cada um se restringir ao seu quadrado. Tenho defendido está postura há bastante tempo. Mas tenho defendido de uma maneira um tanto discreta. É um protesto "interior" de quem vê que as coisas estão cagadas mas não se manifesta. O que significa que se eu me calo, estou deixando espaço para algum idiota se expressar. Se eu falo, ele terá que disputar atenção comigo.
Então as palavras romperam a represa e vieram como uma enchente. E eu preciso falar.
O problema com o bom senso é nque todos acham que tem muito. Não é mesmo?

Nenhum comentário:

Postar um comentário