segunda-feira, 12 de outubro de 2015


Crônicas do Lácio - Dia IV

Viagem é uma coisa engraçada. Você sai da sua casa, da sua rotina, mas sua maneira de entender o mundo é aquela na qual você foi moldado. E seu raciocínio sempre vai voltar lá, para fazer a comparação necessária para que você compreende o que quer que seja. Enfim, todo este falatório para dizer que quando eu acordei pela manhã pensei 1) Vou pegar um metro de primeiro mundo.2) Em 15 minutos eu chego. Tomei meu café da manhã sem pressa e fui pegar o metrô aqui na esquina do hotel, na Estação Manzoni às nove e meia da manhã, e cai na realidade 1) É pior que o metrô do Rio. 2) Vou perder minha hora no Vaticano! Eu tinha comprado os tickets com visita guiada pela internet e tinha que estar no ponto de encontro às dez e quinze da manhã. Se eu não conseguisse entrar no metrô, não ia chegar nem meio dia. Perdemos o primeiro vagão por escrúpulo do Andre Luiz. No segundo que veio eu disse: "Vou entrar! Você vem comigo!" E adotei os costumes italianos e entrei no vagão, com muita disposição, e menos educação que o normal. A gente conseguiu ir em pé, entalados, nem precisava segurar, por que não dava para cair, de tanta gente.
Quando chegamos no metrô Otaviano, no Vaticano, os problemas não tinham se acabado por que eu nem fazia ideia em qual rua eu encontrava o nosso guia.Corremos muito para chegarmos na hora, foi meio perrengue, mas achamos nosso guia italiano que falava inglês, Fabrizio, e integramos um grupo multicultural, com uma russa, uns americanos, um casal de escoceses, e uns orientais não identificados. Conseguimos entrar no Museu do Vaticano sem muita dificuldade, graças ao guia. A fila dos sem-guia dava volta na cidade do Vaticano. 
E lá dentro. Ah! La dentro foi inacreditável! Qualquer museu decente dá uma parada na fila quando fica muito cheio, Ou deveria. Na Galeria Borghese por exemplo, entram duzentos por vez. No vaticano entra todo mundo que quiser. E junto. A conclusão é que você passar três horas sendo empurrado no sentido da manada. O Vaticano estava cheio como o metrô. Ou para meus amigos carioca terem uma melhor comparação, o Vaticano estava igual ao Bola Preta sábado de carnaval. Aquela emoção que me toma quando vejo os monumentos não chegou! Só o instinto de sobrevivência se instalou. Eu pensei, se isso aqui pegar fogo como eu saio?
Deve ser bonito. Vazio. Sem os chineses que vão dominar o mundo enquanto a gente perde tempo discutindo besteiras. Você sabe a diferença de um japonês para um chinês, por que os japoneses são estilosos, falam algo parecido com inglês e são bem tratados na aparência. Os chineses andam em grupo, não falam nada que se entenda, não pedem licença, te empurram para você sair da foto dele, e parecem ter vindo viajar direto de um campo de arroz. Mao está entranhado neles. 
Bom, na Capela Sistina, eu tive a mesma emoção de estar entrando nas barcas. O sistema é muito parecido, sabe. E os guardinhas ficam gritando "Silenzio! Silenzio!". E você fica pensando que o lugar é um hospício, e não o local do conclave que escolhe o papa. Um grande desapontamento. Só volto ao museu do vaticano quando for chefe de estado para ser recebida dignamente. Sem os chineses. 
Já a Basilica de São Pedro, grande o suficiente para comportar todo o povo nela, é magnífica. Gostei muito dos túmulos dos papas no subsolo. 
Depois que saímos de lá, perdemos o caminho do hotel, o que é normal. Absolutamente normal se perder em viagem. Principalmente no dia em que você estiver mais cansada e seu sapato não ajudar.
À noite achamos a feirinha nas margens do rio Tibre, com seus restaurantes estilosos, e jantamos num restaurante árabe, onde trabalhava um paulista que vai montar uma pousada no Amazonas ano que vem. Comi a Kafka com muiiiito gosto. Eu precisava urgentemente de carne. E ainda preciso de feijão!

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