segunda-feira, 19 de outubro de 2015
Por que eu preciso de Férias.
sábado, 17 de outubro de 2015
Humanamente Possível. Gentilmente, se possível.
Gosto da expressão "humanamente possível". Por que ela informa que dentro de nossas capacidades, possibilidades, recursos e conhecimento, dentro de nossas limitações, de nossos medos, de nossas dúvidas, estamos dispostos a fazer tudo o que pudermos para alcançar um objetivo. Para salvar uma vida. Para ajudar um amigo. Para fazer a diferença. Porque, no final das contas, a nós, reles humanos, só nos cabe o que for do humano. Nossa força, engenho, coragem e determinação.
Fazemos tudo o que for " humanamente possível " para nos mantermos humanos. Para evitar o caos. Para não cair na barbárie. Para defender os valores da civilização. Para sermos solidários. Éticos.
Por que só o que temos para usar é nossa humanidade. Por que não temos, não sabemos, não nos cabe, a centelha da divindade.
terça-feira, 13 de outubro de 2015
Opinião não é ciência, é religião...
Fiquei refletindo sobre o longo tempo que fiquei sem escrever. Sem me expressar. A culpa é do dia a dia atribulado? Certamente que sim. Mas outras coisas me calaram também.
Acho que num primeiro momento posso dizer que andei inibida. Afinal, o que não falta na internet, hoje em dia, é opinião. Todo mundo tem opinião. Demais. Opinião não é uma coisa embasada. É palpite. É "eu acho". É "para mim é assim e pronto". Opinião é uma coisa meio religiosa por que quem tem, muitas vezes nem explica por que pensa daquela maneira.
Opinião não é ciência. Ninguém comprova nada. Opinião é religião. É por que eu acredito e pronto.
Andei um pouco angustiada. Por que eu deveria escrever alguma coisa, se meu posicionamento raciocinando tem o mesmo valor que de um fervoroso opinativo religioso?
Mas por outro lado, nestes dias de textos pobres, sem coesão, sem coerência, sem noção, sem argumento, como eu posso abrir mão da força da palavra e de fazer minha parte por um mundo com mais bom senso? Por relações humanas mais saudáveis?
O meu posicionamento filosófico na humanidade é o liberal. Em relação a comportamentos humanos acho que cada um vive como quer, desde que não invada o espaço alheio. Para mim fica muito claro que seu sexo, sua religião, seus costumes, suas crenças, estão muito pouco relacionadas comigo. As opções individuais de cada um são questões individuais de cada um. Se por acaso eu me chocar com um beijo gay na novela, o problema está em mim, nos meus valores, que eu não posso impor aos outros. Se eu sou contra um beijo gay eu não terei relacionamentos gays. Mas não me cabe perturbar os gays.
A regra é clara. A convivência é simples se cada um se restringir ao seu quadrado. Tenho defendido está postura há bastante tempo. Mas tenho defendido de uma maneira um tanto discreta. É um protesto "interior" de quem vê que as coisas estão cagadas mas não se manifesta. O que significa que se eu me calo, estou deixando espaço para algum idiota se expressar. Se eu falo, ele terá que disputar atenção comigo.
Então as palavras romperam a represa e vieram como uma enchente. E eu preciso falar.
O problema com o bom senso é nque todos acham que tem muito. Não é mesmo?
segunda-feira, 12 de outubro de 2015
Crônicas Venezianas
Depois da noite de ontem achei que as surpresas teriam se acabado. Tolice a minha. Veneza, que eu incluí no roteiro com um pouco relutância, não e apenas linda. Ela é viva e exuberante. Contrariando todos os guias, nós a exploramos a pé, de ponta a ponta. Nos perdemos e achamos meias dúzia de vezes em suas ruelas estreitas, antigas e cheias de segredos. O comércio é excelente. Milhares de lojinhas charmosas de Cristal de Murano máscaras com preços que variam quanto mais ao interior, mais barato ficam as coisas.
A Piazza di San Marco é fenomenal. Mas chega a ser desconfortável de tantos turistas. Entrei na fabulosa Catedral e tirei um monte de fotos embora tivesse placa de proibido, porque ninguém estava levando a proibição a sério, não seria eu quem o faria. Aliás, nada mais idiota por aqui que as placas de proibido fotografar. Turistas só levam consigo memórias bugigangas e fotos...
Perder-se em Veneza e achar alguma coisa dentro de si. Um pedaço eterno de presente, uma lembrança preciosa.
Por falar em lembrar, Mauro Fagundes, Babylla Pereira, Saulo Almeida eWagner Silveira, long neck aqui é para os fracos. Os fortes saem bebendo cerveja de 600ml no gargalo. Vinho de 1 litro também. Costume fácil, fácil de adotar.
Para completar, vimos um show de uns coroas que fazem cover dos Beatles no meio de uma das milhares de piazzas que eles tem. "Don't let me down", " Hey Jude" e "Imagine" no repertório com um povo multinacional e o japonês atrás de mim gritando "Let it be"! Completamente apoteótico. Depois de tanta emoção, fomos ver o jogo da Itália e Costa Rica, mas não gostamos. Eles são muito comportados torcendo.
Fim de dia voltamos a piazza Roma para pegarmos o ônibus 2 de volta para Mestre. Acabamos ficando no continente, por que estacionamento em Veneza, se possível é mais caro que ouro.
(Julho de 2014)
Crônicas Italianas
O inglês é o novo latim. E os italianos entenderam isto muito bem. Quanto mais ao norte seguimos, mais dependemos do inglês para nos comunicar, mas aparentemente todos os italianos que encontramos falam inglês ou entendem o suficiente para nos apontar a direção que precisamos seguir. A propósito, descobri que devemos ter um sotaque tão inconfundível quanto um paulista do interior falando "poorrrta", por que e só a gente falar " please" que eles perguntam "brasiliano?". Estou ficando muito preocupada em falar igual paulista...
Mas o povo aqui é bem solícito. Se esbarramos e pedimos desculpas a pessoa geralmente acena e sorri, sinalizando que está tudo bem. Nos dão informações, mostram onde ir no seu mapa, lembram a afabilidade do nosso povo.
Mas dirigem estranhamente, como quase não ha sinais usa-se muito a faixa de pedestre e as rotatórias para mudar de rua ou direção, e ninguém respeita nada. Na faixa de pedestre, você pisa com disposição, reza e vai com fé que eles param antes de te atropelar. Já a rotatória... Que m#%&@ e essa? É inacreditável como os carros se jogam uns sobre os outros em todas as direções. Não sei como não vimos nenhum acidente. Na minha terra, tem batida por muito menos.
Seguindo agora para o norte na estrada em direção a Bolonha, vou pensando que esta é uma terra bonita de gente bonita. Os italianos são realmente bonitos. Sério mesmo. Todo mundo tem um quê de Sophia Loren ou Marcello Mastroianni. E quem não e bonito é estiloso. E os velhos tem aparência distinta. As moças tem uns olhos claros bem delineados e são bem vestidas. Os rapazes...bem os rapazes são bem apessoados. Em consideração a André Luiz só digo isto. Rs. Mas acho que as moças solteiras deviam vir para cá em vez da Disney... RS.
A imigração deve estar sendo realmente um problema por aqui. Encontra-se muitos indianos, africanos e orientais em trabalhos não especializados e como camelôs. Os indianos parecem mais estabelecidos com sua lojinhas de souvenirs, e o controle dos guarda chuva em Roma. Um deles ao nos ver só de capa, sem guarda chuva, enfiou seu estoque no rosto do André e ficou gritando "lami lami!". Nós rimos muito, mais ainda porque nunca vamos descobrir o que quer dizer lami lami e o som e tão engraçado...
Crônicas da Toscana - Dia 3
Crônicas da Toscana
Para começo de conversa descobri que Gelatto não é sorvete. Gelatto é a ambrosia que os deuses gregos tomavam no Olimpo. Sorvete é o que a gente toma no calor por aí. Vai uma enorme distância entre um gelato e o picolé do China, por exemplo.
Estamos em Florença. Fantástica e majestosa, estilosa e moderna, Cheia de gente (muito) bonita em barzinhos (muito) transados. Hugo Oliveira seu lugar é aqui. Todos parecem você por aqui! Se é que você me entende...
Chegar foi difícil por que não conseguimos pegar um taxi em Roma e arrastamos as malas por um quilometro e meio até a Termini, onde custamos a achar a plataforma 24 onde estão reunidas as rent-a-car. Parecia a plataforma do Harry Potter de tão difícil de encontrar!!!
A estrada até aqui é ,maravilhosa. Andre Luiz ficou um pouco preocupado quando descobriu que nos hospedamos num convento, Sem ar condicionado, sem televisão, sem frigobar parece que as freiras nos colocaram em penitência. Mas tem toalha de linho e é tão grande que já me perdi duas vezes. Ah! Meu banheiro é lá do lado de fora. Eu tenho a chave dele e vou lá no corredor quando preciso usar... A localização, porém, é tão boa, que vale a pena ficar aqui.
Enfim. Firenze é linda! Andei de um lado ao outro, passei por três ou quatro pontes. Quase chorei em frente ao Palazzo Vecchio, e quando me vi diante de Santa Maria della Fiore (a Catedral, ou Duomo, como se chama aqui), quase não acreditei no que vi. E não tenho palavras para descrever, o que vi e o que senti.
O por do sol na ponte é fabuloso. É de tirar o fôlego, e o por do sol, as pessoas, o clima, tudo faz parecer um sonho, um filme. O caso é que tudo o que você imaginar sobre Florença, é verdade. É um cenário real, está tudo aqui! A cidade é muito maior e mais agitada que eu imaginava. E os florentinos são motoristas muito, muito perigosos. Eles passam em suas motos e seus carrinhos (as ruas são estreitas, não cabe carro grande...) praticamente por cima dos pedestres. Eu que sou meio lerda, quase fui atropelada meia dúzia de vezes
Para amanhã teremos uma visita à Galleria Degli Uffizi. Se estiver aberta. Apesar de ter comprado os ingressos há dois meses, ouvi um outro turista dizer que talvez ela não abra amanhã. Algumas coisas por aqui bem que me lembram o Brasil.
Veremos.
(Julho de 2014)
Jantamos nos árabes de ontem. É o mais parecido com comida que vejo por aqui. A massa e escandalosamente deliciosa mas não segura o dia todo de andanças.
Na hora de voltar para o hotel, e arrumar a bagagem para a grande excursão ao norte que começa amanhã, fomos capturados pelo jogo do Brasil, e paramos para assistirmos ao primeiro tempo com nosso povo. Mas as malas nos esperam e não se arrumam sozinhas. Rs. Ninguém estranhe se eu sumir um pouco, que não sei como vai ficar a internet. Próxima parada: Florença
Crônicas do Lácio - Dia IV
Viagem é uma coisa engraçada. Você sai da sua casa, da sua rotina, mas sua maneira de entender o mundo é aquela na qual você foi moldado. E seu raciocínio sempre vai voltar lá, para fazer a comparação necessária para que você compreende o que quer que seja. Enfim, todo este falatório para dizer que quando eu acordei pela manhã pensei 1) Vou pegar um metro de primeiro mundo.2) Em 15 minutos eu chego. Tomei meu café da manhã sem pressa e fui pegar o metrô aqui na esquina do hotel, na Estação Manzoni às nove e meia da manhã, e cai na realidade 1) É pior que o metrô do Rio. 2) Vou perder minha hora no Vaticano! Eu tinha comprado os tickets com visita guiada pela internet e tinha que estar no ponto de encontro às dez e quinze da manhã. Se eu não conseguisse entrar no metrô, não ia chegar nem meio dia. Perdemos o primeiro vagão por escrúpulo do Andre Luiz. No segundo que veio eu disse: "Vou entrar! Você vem comigo!" E adotei os costumes italianos e entrei no vagão, com muita disposição, e menos educação que o normal. A gente conseguiu ir em pé, entalados, nem precisava segurar, por que não dava para cair, de tanta gente.
Quando chegamos no metrô Otaviano, no Vaticano, os problemas não tinham se acabado por que eu nem fazia ideia em qual rua eu encontrava o nosso guia.Corremos muito para chegarmos na hora, foi meio perrengue, mas achamos nosso guia italiano que falava inglês, Fabrizio, e integramos um grupo multicultural, com uma russa, uns americanos, um casal de escoceses, e uns orientais não identificados. Conseguimos entrar no Museu do Vaticano sem muita dificuldade, graças ao guia. A fila dos sem-guia dava volta na cidade do Vaticano.
E lá dentro. Ah! La dentro foi inacreditável! Qualquer museu decente dá uma parada na fila quando fica muito cheio, Ou deveria. Na Galeria Borghese por exemplo, entram duzentos por vez. No vaticano entra todo mundo que quiser. E junto. A conclusão é que você passar três horas sendo empurrado no sentido da manada. O Vaticano estava cheio como o metrô. Ou para meus amigos carioca terem uma melhor comparação, o Vaticano estava igual ao Bola Preta sábado de carnaval. Aquela emoção que me toma quando vejo os monumentos não chegou! Só o instinto de sobrevivência se instalou. Eu pensei, se isso aqui pegar fogo como eu saio?
Deve ser bonito. Vazio. Sem os chineses que vão dominar o mundo enquanto a gente perde tempo discutindo besteiras. Você sabe a diferença de um japonês para um chinês, por que os japoneses são estilosos, falam algo parecido com inglês e são bem tratados na aparência. Os chineses andam em grupo, não falam nada que se entenda, não pedem licença, te empurram para você sair da foto dele, e parecem ter vindo viajar direto de um campo de arroz. Mao está entranhado neles.
Bom, na Capela Sistina, eu tive a mesma emoção de estar entrando nas barcas. O sistema é muito parecido, sabe. E os guardinhas ficam gritando "Silenzio! Silenzio!". E você fica pensando que o lugar é um hospício, e não o local do conclave que escolhe o papa. Um grande desapontamento. Só volto ao museu do vaticano quando for chefe de estado para ser recebida dignamente. Sem os chineses.
Já a Basilica de São Pedro, grande o suficiente para comportar todo o povo nela, é magnífica. Gostei muito dos túmulos dos papas no subsolo.
Depois que saímos de lá, perdemos o caminho do hotel, o que é normal. Absolutamente normal se perder em viagem. Principalmente no dia em que você estiver mais cansada e seu sapato não ajudar.
À noite achamos a feirinha nas margens do rio Tibre, com seus restaurantes estilosos, e jantamos num restaurante árabe, onde trabalhava um paulista que vai montar uma pousada no Amazonas ano que vem. Comi a Kafka com muiiiito gosto. Eu precisava urgentemente de carne. E ainda preciso de feijão!
Por volta de uma hora da tarde saímos de Óbidos para Alcobaça, onde fizemos o check in no hotel Santa Maria, em frente ao Mosteiro. A vista da minha janela é a do predio monumental, patrimônio da humanidade, ligado intimamente à dinastia de Borgonha e à história de Portugal. Dentro se encontram os túmulos de D. Pedro e D. Inês de Castro. E depois de me debruçar sobre este caso desde 1999, impossível não sentir um arrepio.
Para prolongar a espera, de jeito meio masoquista, fomos dar uma volta na cidadezinha e procurar um sítio para almoçar. Tivemos uma grata surpresa. Alcobaça não tem turistas se atropelando. Os grupos entram no mosteiro e saem correndo de volta para os ônibus, para completar o circuito com o Mosteiro da Batalha e o convento de Tomar. Assim, ficamos com ruas genuinamente portuguesas, e pouca gente com quem as dividir. A luminosidade espetacular fez de cada olhar ao redor, um quadro, uma inspiração.
A entrada na Igreja do Mosteiro foi de tirar o fôlego. A nave principal e as naves laterais formam um conjunto grandioso, que faz pensar num coro de monges, e em cheiro de incenso e velas. O lugar é um anacronismo prese entre dois mundos, o que foi e o que é. Caminhando pelas colunas na nave lateral, eu seguia esperando encontrar os túmulos, mas quase gelei quando vislumbrei a arca de Inês de Castro a primeira vez. E enquanto me aproximava, o encanto do momento se partiu quando a criança saiu correndo disparada pela Igreja e a vó gritou MARIA LUÍSA! VOLTE AQUI! Pronto. Voltei ao ano de 2012 rapidinho e mergulhei na vida real. Despedaçou-me. Mães vivem no presente, historiadores no passado. Fecha o pano.
Levamos a criança elétrica para relaxar na banheira do hotel e ficar com a avó também cansada, e voltamos eu e André, para explorarmos o belíssimo interior do Mosteiro. Aqui não me alongo, mas foi mais do que eu imaginava, principalmente o refeitório, a cozinha e os jardins com laranjeiras carregadas. Lindo.
Antes de voltarmos ao hotel fomos comprar um sanduiche e o coroa não nos entendia bem, percebes? Entã me surge uma mineira que nos explica que presunto é fiambre, e o que eles chamam de presunto é um tipo de lombo. Sanduíche bom! Dia maravilhoso.
Amanhã continuamos rumo à Coimbra!
Depois que conseguimos nos entender com os produtos, tomamos café e aqui preciso fazer um parentese, que o café é sofrível, mas o açúcar EM PÓ??? Desprezível, sinceramente. Mas pior é ficar sem café, então eu bebo assim mesmo.
Embarcamos no metrô, na nossa estação, a Marquês de Pombal, e a esta altura, como o povo da cidade, soubemos como recarregar nossos cartões e fizemos a transição da linha azul, para a linha vermelha sem rebuliço. Seguimos no comboio até a gare do Oriente, onde descemos da estação, praticamente dentro do shopping Vasco da Gama. O bairro, todo novo, construído na década de noventa é de uma modernidade que eu não esperei que os portugueses pudessem conceber. Um amigo nosso, antes de embarcarmos, perguntou o que nós iríamos fazer em Portugal, segundo ele, "o cu cagado da Europa". Honestamente, se este é o cu cagado, nem consigo imaginar o cu cheiroso...O Oriente faz a Barra parecer subúrbio.
Assim entramos no Parque das Nações, e nos encaminhamos para o Oceanário. Eis que surge nosso primeiro momentos de tensão: carrinho da Malu, que ontem desceu combalido Pela Rua do Milagre de Santo Antônio até a Sé, quebrou um parafuso, o que o desqualificou para a função. O pai e a avó, trocaram acusações inamistosas. Eu emburrei. A criança pesa desesseis quilos, e o passeio que não era histórico já estava começando a me entediar.
Deus interveio, graciosamente. O pai pisou em um pedaço de arame, e com ele, à brasileira, fez como o MacGyver, e arrumou uma gambiarra que deu sobrevida ao carrinho.
Entramos no Oceanário. Impressionante. O pai e a avó ficaram encantados. Eu achei muito bonito. Mas no fundo, no fundo, sou antropocentrica demais para curtir a natureza. A obra de engenharia, porém, é muito legal.
De lá, fizemos o passeio do teleférico que é fantástico, A família e o carrinho quebrado correndo para entrar no bondinho (que não chega a parar) deve ter sido hilariante para quem viu.
Almoçamos de frente para o Tejo. André e D.Célia se empanturraram de bacalhau, e depois tentaram se afogar bebendo água. Eu saboreei meu vinho comendo arroz com feijão à moda portuguesa, misturados.
Fomos embora de volta ao shopping, onde de comum acordo, fomos em busca de um carrinho de bebê. O pai tanto procurou que encontrou um (provavelmente, com um pouco mais de ajuda divina), feíssimo, de um verde diarréia, por 35 euros. Carrinho por 35 euros? Seja feio como for, estamos dentro!
Fomos embora todos felizes, exaustos e sujos de metrô. Deixamos criança e avó no Hotel, e corremos para pegar o carro alugado, pois amanhã vamos para o Norte, para Óbidos, Nazaré e domiremos em Alcobaça, onde vou ver Inês.
Ainda demos um pulo no Shopping, "El Corte Inglês", onde a criança berrou por pipoca e pão de queijo. Onde arrumar pão de queijo em Portugal?
Esquece.
Voltamos de metrô às dez e meia da noite, sem ninguém nos incomodar. Sem medo. Isto sim , foi impressionante.
Vamos dormir, que amanhã tem mais história.
O dia foi espetacular. Se me perguntarem qual o dia mais feliz da minha vida, não foi quando eu me casei, nem quando minha filha nasceu, momentos lindos, mas pela própria importância do evento, tensos. Hoje, só ´por hoje, fomos totalmente felizes como turistas entre turistas, nesta terra de turistas, que é Lisboa, uma Babel européia.
Tomamos café onde Fernando Pessoa tomava, no "A Brasileira", onde pedimos sanduiche de queijo pensando em pão francês e descobrimos que é queijo quente. O dia estava espetacularmente azul. Magnífico. Pegamos o életrico 28 e subimos para o Castelo. Chegamos a tempo de ver uma representação dos combates medievais, e andamos pelas ameias, sem conseguir fechar a boca diante de vista tão deslumbrante... Imaginem só! Eu, plebéia de quatro costados, andando pelo Castelo de São Jorge. Nos tempos do rei, com sorte, eu só passaria pelas cozinhas...
Do Castelo, fomos à Velha Sé, descendo as ladeiras do bairro do Castelo, com criança e carrinho nas costas. A fachada da Igreja é impressionante.
Almoçamos no Terreiro do Paço, onde confirmei o que já tinha desconfiado ontem: cerveja boa é a Sagres, que eu pedi como se só tomasse destas em casa, cheia de autoridade! rs. Daí, seguimos para Belém. Pegamos o elétrico 15 no sentido de Alges, e ao entrarmos, correndo para não o perder, percebemos que não tínhamos o bilhete de passagem. Não tinha trocador, só uma máquina que só aceitava moedas. Não tinhamos moedas o suficiente para dar o valor, quase nove euros. Ficamos em pânico. Seguir, descer? Logo percebi que não havia um controle sobre quem entrava nos bondes, que não fosse a própria consciência do sujeito. Assim, como a nossa consciência brasileiramente não nos acusava de má vontade, acabamos viajando de graça até Belém.
Em Belém, o Mosteiro dos Jerônimos foi uma surpresa inigualável. Estava cheio como a Sapucaí em dia de desfile, mas a beleza dele se impõe em nosso espírito. O padrão dos Descobrimentos me deixou inesperadamente emocionada. Senti a garganta embargar. Se não fosse pelo esforço desses heróis da nação portuguesa, e tantos outros que financiaram expedições sem certeza de lucro, que se lançaram ao mar, sem certeza de volta, nós, os brasileiros, ainda viveríamos pelados e sem livros, e a vida me seria intolerável.
Ao chegarmos à Torre de Belém, lindíssima, estavamos tão cansados que nos prostramos diante dela, sem condições de entrar. Pretendemos voltar.
Amanhã, Oceanário! Para mais um dia feliz, espero..
Até a vista!
Dia desses, passeando por Lisboa...
NOVE HORAS atravessando o Atlântico na classe econômica, à noite, sem conseguir dormir, com a companhia de uma maravilhosa turma de adolescentes hiperativos, de algum intercâmbio, me fizeram ponderar longamente sobre o conforto das caravelas, e depois, quando meu humor deteriorou de vez, sobre os navios negreiros... Acho que os brasileiros estão invadindo Portugal, em retaliação ao pacto colonial.
Enfim, num vôo sem overbooking, sem atrasos ou sem extravios, a gente só deve comemorar ter chegado vivo. Assim, desembarquei numa Lisboa cinzenta às seis da manhã, sem saber ao certo como me sentia ao me ver no venerável Velho Mundo.
O clima esteve muito louco durante toda a manhã. Chuva fria, vento forte, sol aberto, calor carioca, teve de tudo... Lisboa é uma cidade dominada por turistas. Mas nunca vou esquecer a minha primeira visão de um Castelo Medieval (que pretendo explorar amanhã cedo) e a sensação de entrar minha primeira Igreja gótica, no museu arqueológico do Carmo, que não perdeu nada de sua imponência ao perder o teto para o terremoto de 1745. Ignorei, brasileiramente, a proibição (que ninguém seguia) de não tirar fotos e tietei (!) o túmulo de D. Fernando, me emocionando quase até as lágrimas!
Estar em Lisboa, sem contar sua inquestionável antiguidade, que vem do tempo em que os romanos a chamavam Olisipo, é como vislumbrar um Rio de Janeiro que deu certo. Uma cidade limpa, que respeita sua história e seus monumentos, que tem uma fascinante miscigenação, onde figuras de todo o tipo falam um português que não é o nosso, e às vezes, nem o deles... É um acento colonial, original, fantastico!
Hoje o cansaço bateu cedo, por conta da noite não dormida. Mas amanhã vamos continuar explorando as belezas lisboetas.
Beijos!
P.S.: A propósito, descobrimos que bolinho de bacalhau, aqui, é chamado de pastel de bacalhau. Para a gente, uma coisa é uma coisa e outra coisa, é outra coisa. Fazer o quê, além de aprender a pedir à moda da terra?
