segunda-feira, 12 de outubro de 2015


Crônicas da Lusitânia - Dia 4

O MEU CABELO ESTÁ FICANDO ESQUISITO. Meio duro e sem penteado, mesmo limpo, mas não é motivo para estragar meu dia, não é mesmo? Então seguimos hoje para os passeios mega históricos: a vila de Óbidos e Alcobaça. Óbidos é uma cidadela intra muros que foi, desde a Rainha D. Urraca, esposa de D. Afonso II dada como arras às rainhas portuguesas, embora tenha ficado famosa por ter pertencido à rainha Santa Isabel, doada por D. Dinis. As arras, ao contrário do dote, eram bens dados às rainhas para que elas tirassem dali o necessário para manter a si mesmas e sua clientela. Enfim, a cidade é pequena, graciosa, florida e vive disso. Haja turista! Vagueamos bastante por lá, com aquele tempo quente-frio que faz aqui. Maria Luísa hoje adotou uma espada, de espuma felizmente, já que ela logo descobriu para que servem as espadas...
Por volta de uma hora da tarde saímos de Óbidos para Alcobaça, onde fizemos o check in no hotel Santa Maria, em frente ao Mosteiro. A vista da minha janela é a do predio monumental, patrimônio da humanidade, ligado intimamente à dinastia de Borgonha e à história de Portugal. Dentro se encontram os túmulos de D. Pedro e D. Inês de Castro. E depois de me debruçar sobre este caso desde 1999, impossível não sentir um arrepio.
Para prolongar a espera, de jeito meio masoquista, fomos dar uma volta na cidadezinha e procurar um sítio para almoçar. Tivemos uma grata surpresa. Alcobaça não tem turistas se atropelando. Os grupos entram no mosteiro e saem correndo de volta para os ônibus, para completar o circuito com o Mosteiro da Batalha e o convento de Tomar. Assim, ficamos com ruas genuinamente portuguesas, e pouca gente com quem as dividir. A luminosidade espetacular fez de cada olhar ao redor, um quadro, uma inspiração.
A entrada na Igreja do Mosteiro foi de tirar o fôlego. A nave principal e as naves laterais formam um conjunto grandioso, que faz pensar num coro de monges, e em cheiro de incenso e velas. O lugar é um anacronismo prese entre dois mundos, o que foi e o que é. Caminhando pelas colunas na nave lateral, eu seguia esperando encontrar os túmulos, mas quase gelei quando vislumbrei a arca de Inês de Castro a primeira vez. E enquanto me aproximava, o encanto do momento se partiu quando a criança saiu correndo disparada pela Igreja e a vó gritou MARIA LUÍSA! VOLTE AQUI! Pronto. Voltei ao ano de 2012 rapidinho e mergulhei na vida real. Despedaçou-me. Mães vivem no presente, historiadores no passado. Fecha o pano.
Levamos a criança elétrica para relaxar na banheira do hotel e ficar com a avó também cansada, e voltamos eu e André, para explorarmos o belíssimo interior do Mosteiro. Aqui não me alongo, mas foi mais do que eu imaginava, principalmente o refeitório, a cozinha e os jardins com laranjeiras carregadas. Lindo.
Antes de voltarmos ao hotel fomos comprar um sanduiche e o coroa não nos entendia bem, percebes? Entã me surge uma mineira que nos explica que presunto é fiambre, e o que eles chamam de presunto é um tipo de lombo. Sanduíche bom! Dia maravilhoso.
Amanhã continuamos rumo à Coimbra!
Beijos!

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