Crônicas da Lusitânia - Dia X
ESTÁ ACABANDO e a sensação de que não dará tempo para ver ou fazer tudo o que eu gostaria está me acelerando. Hoje fomos a Sintra e visitamos o Palácio Nacional, uma relíquia que vem dos tempos de D. Dinis. A cidade de Sintra parece uma floresta encantada, daquelas com fadas e elfos. Com castelos e mansões incrustados em qualquer lugar da floresta e o castelo dos mouros soberano sobre todos. Lugar mágico. De lá rodamos até o Cabo da Roca, o ponto mais ocidental da Europa, que se esparrama sobre o Atlântico numa ventania tão forte que parece que pode te carregar até a América. Mais um lindo dia todo azul, todo luz, ar e verde. As estradas portuguesas são impecáveis, e quando pegamos um trecho ruim, onde eles colocam placas se desculpando, nós rimos por que parecem com as boas estradas daí. Com o sistema de pedágios e rotatórias, se vai a qualquer lugar deste país...
Nos últimos dias tenho percebido que as portuguesas me dão uma estranha sensação de familiaridade. Sentada no banco do shopping, esperando a família aparecer, carregada de livros fresquinhos, percebi uma moça do meu lado e fiquei tentando me lembrar por que me parecia conhecida. De repente, veio o estalo e lembrei: muitas mulheres por aqui tem os olhos naquela cor exata de verde primavera que tinha os olhos da minha mãe. Algumas, como esta moça do meu lado, tem até as pintas douradas nos olhos, que os tornam luminosos. E aí deu saudade... Bonita palavra, em língua portuguesa, de sentimento inexprimível.
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