segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Crônicas Lusitanas- Dia 2
ASSIM, para os portugueses, água normal é quente, água fresca é gelada, bolinho de bacalhau é pastel, canudo é palinha, e nós vamos vivendo e aprendendo.
O dia foi espetacular. Se me perguntarem qual o dia mais feliz da minha vida, não foi quando eu me casei, nem quando minha filha nasceu, momentos lindos, mas pela própria importância do evento, tensos. Hoje, só ´por hoje, fomos totalmente felizes como turistas entre turistas, nesta terra de turistas, que é Lisboa, uma Babel européia.
Tomamos café onde Fernando Pessoa tomava, no "A Brasileira", onde pedimos sanduiche de queijo pensando em pão francês e descobrimos que é queijo quente. O dia estava espetacularmente azul. Magnífico. Pegamos o életrico 28 e subimos para o Castelo. Chegamos a tempo de ver uma representação dos combates medievais, e andamos pelas ameias, sem conseguir fechar a boca diante de vista tão deslumbrante... Imaginem só! Eu, plebéia de quatro costados, andando pelo Castelo de São Jorge. Nos tempos do rei, com sorte, eu só passaria pelas cozinhas...
Do Castelo, fomos à Velha Sé, descendo as ladeiras do bairro do Castelo, com criança e carrinho nas costas. A fachada da Igreja é impressionante.
Almoçamos no Terreiro do Paço, onde confirmei o que já tinha desconfiado ontem: cerveja boa é a Sagres, que eu pedi como se só tomasse destas em casa, cheia de autoridade! rs. Daí, seguimos para Belém. Pegamos o elétrico 15 no sentido de Alges, e ao entrarmos, correndo para não o perder, percebemos que não tínhamos o bilhete de passagem. Não tinha trocador, só uma máquina que só aceitava moedas. Não tinhamos moedas o suficiente para dar o valor, quase nove euros. Ficamos em pânico. Seguir, descer? Logo percebi que não havia um controle sobre quem entrava nos bondes, que não fosse a própria consciência do sujeito. Assim, como a nossa consciência brasileiramente não nos acusava de má vontade, acabamos viajando de graça até Belém.
Em Belém, o Mosteiro dos Jerônimos foi uma surpresa inigualável. Estava cheio como a Sapucaí em dia de desfile, mas a beleza dele se impõe em nosso espírito. O padrão dos Descobrimentos me deixou inesperadamente emocionada. Senti a garganta embargar. Se não fosse pelo esforço desses heróis da nação portuguesa, e tantos outros que financiaram expedições sem certeza de lucro, que se lançaram ao mar, sem certeza de volta, nós, os brasileiros, ainda viveríamos pelados e sem livros, e a vida me seria intolerável.
Ao chegarmos à Torre de Belém, lindíssima, estavamos tão cansados que nos prostramos diante dela, sem condições de entrar. Pretendemos voltar.
Amanhã, Oceanário! Para mais um dia feliz, espero..
Até a vista!

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